Will & Grace pela Hillary Clinton

A reunião que ninguém esperava mas com a qual todos sonhavam aconteceu!

votehoney

Eric McCormack, Debra Messing, Sean Hayes e Megan Mullally voltaram para um episódio mais-que-especial de um dos seriados mais engraçados, polêmicos e vanguardistas da TV norte-americana, Will & Grace – que eu sempre digo que deveria se chamar Jack & Karen, porque esses dois personagens são sensacionais e roubam a cena facilmente.

Após – inacreditáveis! – 10 anos do fim da série, os atores se juntaram para um episódio especial, de pouco menos de 10 minutos de duração, falando especificamente sobre a votação para presidente dos Estados Unidos deste ano. Obviamente, Will e Grace votarão pela Hillary Clinton, e Karen Walker, sempre vivendo em seu planeta pessoal, é toda pelo Donald Trump – outro que parece viver em um planeta particular, com a diferença de que este é um personagem da vida real e pode causar muito estrago real.

Mas e o querido Jack, como fica nessa?

Assista ao vídeo completo abaixo e perceba que, como os próprios atores afirmaram, parece que a série nunca deixou de ser filmada: é incrível como, mesmo após uma década, todos os quatro voltaram facilmente a vestir seus personagens.

A ideia para este especial partiu do co-criador da série Max Mutchnick, como explica a atriz Megan Mullally: “[ele] teve essa ideia sobre a Karen instalar um muro em sua casa e fazer [a empregada dela] Rosario treinar escalada para que, quando Trump construísse o muro [entre os EUA e o México, porque ele quer evitar a entrada de imigrantes no país], ela pudesse pulá-lo e voltar para o trabalho”. Tem coisa mais Karen Walker que isso?

A hashtag #votehoney utiliza uma palavra que Karen sempre usa ao falar com as pessoas, honey – querida, em inglês -, para incentivar as pessoas a votarem, já que não é obrigatório votar nas eleições nos Estados Unidos.

É incrível pensar que Will & Grace foi ao ar em 1998, com dois protagonistas gays, e terminou em 2006. Não tinha me ligado que fazia tanto tempo assim! #voltawillandgrace

Anúncios

A imagem que melhor representa a atualidade

hillary-clinton-crowd-selfie-barbara_kinney
Crédito: Barbara Kinney / Hillary for America

Em um passado-não-muito-distante, a coisa mais legal do mundo era conseguir ver seu ídolo de perto, conseguir um autógrafo, uma palavra, um abraço. Que sonho!

Com a popularização das câmeras, aquelas ainda com filme, a coisa mais legal do mundo passou a ser conseguir tirar uma foto de seu ídolo, nem que fosse do topo da cabeça dele (olha, é o cabelo dele aqui no cantinho, juro!!), uma foto borrada que fosse (ele passou tão rápido, mas dá pra ver que é ele!!), desde que se conseguisse um registro do amado ídolo. E, quem sabe, melhor ainda!, conseguir uma foto COM ele – desde que alguém tirasse pra você, pois acertar o enquadramento e o foco com uma câmera analógica era meio loteria.

Pouco depois vieram as câmeras digitais portáteis e tudo ficou mais fácil. Sem muitos limites e com menos gastos, fotografar passou a ser banal. Então, todo mundo passou a prestar mais atenção no que se fotografa e se filma do que se importar em participar do momento em si – como é comum ver em shows, com aquele mar de celulares filmando (muito mal) tudo.

Agora, com os celulares e suas selfies, as pessoas fazem tudo isso ao mesmo tempo: chegam perto do ídolo, tiram várias fotos dele e outras com ele – sem se importar em realmente aproveitar o momento, tentar conversar com a pessoa, fazer uma pergunta, um elogio. Tudo tem e deve ser registrado. Mesmo que para isso você fique de costas para o seu ídolo.

UPDATE (28.9) – segundo porta-vozes da campanha de Hillary Clinton, ela mesma “sugeriu que todos poderiam fazer uma selfie grupal e posou para a multidão”. Segundo esta matéria, em um vídeo amador do encontro, pode-se ouvir a candidata dizendo “todos os que querem uma selfie, virem-se de costas agora”.

Ainda assim, vale a reflexão.

Quadros infantis que nunca iriam ao ar hoje

Na minha infância, o Tom queria matar o Jerry, o Jerry batia no Tom, o Coyote queria comer o Papa-Léguas, o Coyote se explodia, coisas em geral explodiam!, o Pica Pau atirava com revólver na cara dos outros, o pessoal da Corrida Maluca tentava sacanear uns aos outros para chegar primeiro, o Manda Chuva era o maior vagabundo, personagens roubavam, atiravam, fumavam, batiam, trapaceavam etc., e nenhuma criança tentava fazer o que via nos desenhos porque, de algum modo, sabia que era errado.

Na minha infância, as crianças eram mais ingênuas mas também, parece, mais inteligentes. Os únicos que gostam do atual e intragável “politicamente correto” são os ultraconservadores e os pais com preguiça de educar seus filhos.

Pensei nisso hoje, quando, por um grande acaso, topei com este vídeo da saudosa TV Colosso enquanto procurava pelo trecho do cachorro chef de cozinha que chamava o pessoal pro almoço. Assista ao vídeo abaixo a partir de 1’50” e me responda: esse diálogo das pulgas estaria hoje em algum programa infantil da TV aberta brasileira?

.

O diálogo transcrito:

Pulga 1 – Otto Branco quer saber: “quem inventou o ditado ‘de grão em grão a galinha enche o papo’?”

Pulga 2 – O nome nós não conseguimos confirmar não. Sabemos apenas que era um criador de galinhas, sovina como ele só, que ficava regulando a ração das coitadinhas. Mas ele pagou bem caro: a sua esposa era uma megera que o espancava todos os dias.

Pulga 1 – É, e foi ela quem inventou “em casa de mulher que manda, até o galo canta fino”.

Sabe quando que a frase “sua esposa era uma megera que o espancava todos os dias” ou “foi ela quem inventou ‘em casa de mulher que manda, até o galo canta fino'” apareceria num programa infantil politicamente correto (o único tipo existente hoje em dia)? NUNCA.

E este outro quadro da TV Colosso? Já começa pelo nome do personagem: Paulo Paulada.

.

NUNCA que os defensores do politicamente correto de hoje deixariam que isso fosse ao ar. Porque, afinal, seus queridos filhos não podem, jamais!, ouvir alguém falando que uma pessoa espanca a outra, ou, imagine!!, VER um personagem batendo em outro que não fez nada de errado!

Não, meus senhores, os filhos dos defensores do politicamente correto não sabem discernir entre o que é certo e o que é errado, portanto, é melhor esconder tudo o que possa fazer com que eles tentem refletir sobre alguma coisa e, que medo!!, encham os pais com perguntas sobre bem/mal, certo/errado, ética, caráter, educação, índole, boas maneiras, o que é crime e o que é permito por leis e outras coisas da vida!

O melhor é abolir tudo que o possa levar uma criança a usar a inteligência ou fazer perguntas aos pais, afinal, eles estão ocupados demais para explicar e mostrar o mundo à elas.

Incompetência olímpica

Sabe quando você lê um texto que fala exatamente o que você pensa? Quando, enquanto lê esse texto, seu cérebro diz várias vezes “putaquepariu, é isso mesmo!”? Foi o que aconteceu comigo lendo este texto da Cora Rónai. Você termina de lê-lo e diz “sem mais”, assinando embaixo com seu nome, RG e telefone para contato.

Com vocês, Cora Rónai e seu brilhante texto “Incompetência Olímpica”, publicado n’O Globo, Segundo Caderno, em 11 de abril de 2013:

Ao contrário de todo mundo, acho que ter sido escolhida sede das Olimpíadas foi uma das piores coisas que podiam ter acontecido ao Rio. Junte-se a isso a famigerada Copa, e a desgraça está feita. Antes que me atirem mais pedras do que provavelmente já estarão atirando depois dessas duas primeiras frases, esclareço que não tenho nada contra as Olimpíadas nem contra a Copa como espetáculos, muito antes pelo contrário. Acho os dois eventos bonitos e simbólicos e fico fascinada com a mistura de gentes que proporcionam. Minha implicância é com a corrupção abissal que as cerca e com a sua realização no Brasil — sobretudo, no Rio de Janeiro. Não duvido que tanto Copa quanto Olimpíadas corram lindamente: somos os reis do jeitinho, e com um superfaturamento aqui e uma enganação ali, teremos (quase) tudo pronto a tempo. Se não forem assaltados, estuprados ou mortos, os turistas voltarão para casa com belas lembranças.

Leia o resto do texto, clique aqui.