Quadros infantis que nunca iriam ao ar hoje

Na minha infância, o Tom queria matar o Jerry, o Jerry batia no Tom, o Coyote queria comer o Papa-Léguas, o Coyote se explodia, coisas em geral explodiam!, o Pica Pau atirava com revólver na cara dos outros, o pessoal da Corrida Maluca tentava sacanear uns aos outros para chegar primeiro, o Manda Chuva era o maior vagabundo, personagens roubavam, atiravam, fumavam, batiam, trapaceavam etc., e nenhuma criança tentava fazer o que via nos desenhos porque, de algum modo, sabia que era errado.

Na minha infância, as crianças eram mais ingênuas mas também, parece, mais inteligentes. Os únicos que gostam do atual e intragável “politicamente correto” são os ultraconservadores e os pais com preguiça de educar seus filhos.

Pensei nisso hoje, quando, por um grande acaso, topei com este vídeo da saudosa TV Colosso enquanto procurava pelo trecho do cachorro chef de cozinha que chamava o pessoal pro almoço. Assista ao vídeo abaixo a partir de 1’50” e me responda: esse diálogo das pulgas estaria hoje em algum programa infantil da TV aberta brasileira?

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O diálogo transcrito:

Pulga 1 – Otto Branco quer saber: “quem inventou o ditado ‘de grão em grão a galinha enche o papo’?”

Pulga 2 – O nome nós não conseguimos confirmar não. Sabemos apenas que era um criador de galinhas, sovina como ele só, que ficava regulando a ração das coitadinhas. Mas ele pagou bem caro: a sua esposa era uma megera que o espancava todos os dias.

Pulga 1 – É, e foi ela quem inventou “em casa de mulher que manda, até o galo canta fino”.

Sabe quando que a frase “sua esposa era uma megera que o espancava todos os dias” ou “foi ela quem inventou ‘em casa de mulher que manda, até o galo canta fino'” apareceria num programa infantil politicamente correto (o único tipo existente hoje em dia)? NUNCA.

E este outro quadro da TV Colosso? Já começa pelo nome do personagem: Paulo Paulada.

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NUNCA que os defensores do politicamente correto de hoje deixariam que isso fosse ao ar. Porque, afinal, seus queridos filhos não podem, jamais!, ouvir alguém falando que uma pessoa espanca a outra, ou, imagine!!, VER um personagem batendo em outro que não fez nada de errado!

Não, meus senhores, os filhos dos defensores do politicamente correto não sabem discernir entre o que é certo e o que é errado, portanto, é melhor esconder tudo o que possa fazer com que eles tentem refletir sobre alguma coisa e, que medo!!, encham os pais com perguntas sobre bem/mal, certo/errado, ética, caráter, educação, índole, boas maneiras, o que é crime e o que é permito por leis e outras coisas da vida!

O melhor é abolir tudo que o possa levar uma criança a usar a inteligência ou fazer perguntas aos pais, afinal, eles estão ocupados demais para explicar e mostrar o mundo à elas.

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