Sobre leituras (quase) abandonadas

Alguns livros são do tipo que, quando você os larga, não consegue pegar mais.” – Millôr Fernandes

Triste nem é o fim do Quaresma; triste é ler este livro

Eu nunca consegui abandonar um livro por completo. Já comecei a ler alguns que não eram interessantes, larguei-os por um tempo, mas sempre voltava a lê-los em outra ocasião, quando eles pareciam menos chatos – ou até mesmo interessantes! Acho que escolher um livro para começar a ler depende do seu estado de espírito.

Houve ocasiões em que a vontade de largar um livro pela metade era tentadora, mas acabei lendo o título até o fim, como se fosse uma questão de honra vencer aquela leitura torturante. Foi assim com O Alquimista, de Paulo Coelho, e Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Fui impelida a ler o primeiro para tentar entender o porquê de tamanho alvoroço sobre o autor; queria saber se o cara era realmente um “mago”, como dizem seus fãs, ou apenas um nada (e muitos outros adjetivos piores), como dizem aqueles que não o aturam. Bem, a leitura foi uma tortura completa, do começo ao fim. Mal escrito, autoajuda capenga e sem sentido. Não gostei, mas fui até o fim, para poder dizer “li e não gostei” – isto é, não sou daqueles que falam mal sem nunca terem experimentado.

Já o segundo foi lido na enésima vez em que tentei dar mais uma chance para os chamados “livros de vestibular” ou equivalentes, aqueles títulos escritos em séculos passados, chatíssimos de ler e os quais, anualmente, fazem milhares de estudantes do Brasil perderem o interesse na leitura – ou, como eu, pegarem uma birra gigante para livros desta estirpe. Mas terminei de ler o livro, após três meses, amaldiçoando essa questão de honra de chegar até o fim. Mas eu também sabia que, se o largasse de vez, nunca saberia qual o maldito fim do maldito Policarpo Quaresma – porque esse, sim, seria, para mim, um dos livros dos quais fala Millôr.

Por isso concordo com Millôr Fernandes: há livros que você larga e nunca mais põe as mãos. Mas espero nunca mais encontrar um livro desses… Haja força de vontade!

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Um comentário em “Sobre leituras (quase) abandonadas

  1. Também fui obrigado a ler esse livro por causa do vestibular, infelizmente. Inclusive tenho ele guardado na estante de casa com o maior carinho até hoje. Mas até os grandes escritores cometem deslizes em suas grandiosas obras. Pra mim, o Policarpo Quaresma, com sua loucura do tupi-guarani, é quase tão chato quanto o Tom Bombadil do Tolkien, chapado louco com suas músicas de boneca neneca, hehe! O problema é que esse livro realmente é chato por INTEIRO!

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