
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Além de supercientista ele também é palmeirense. Foto: IstoÉ
Estou longe, muito longe de ser patriota, mas quando alguma coisa deste tipo acontece, até que dá um certo orgulho: o neurocientista brasileiro Miguel Ângelo Laporta Nicolelis está na capa da conceituada Science Magazine! É a primeira vez que a ciência brasileira ganha a capa da mais prestigiada publicação científica do mundo, que tem 128 anos de existência!
A matéria apresenta os resultados do estudo liderado por Nicolelis sobre o Mal de Parkinson, doença neurodegenerativa progressiva que causa tremores incontroláveis e espasmos, levando à morte. O estudo utilizou uma nova técnica criada pela equipe do cientista e testada com sucesso em camundongos, conseguindo eliminar os sintomas da doença ao estimular com eletricidade o sistema nervoso a partir da medula espinhal.
O trabalho foi chefiado por Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo Nicolelis, este é “o segundo estudo da Duke a fazer a capa da revista e o primeiro de uma pesquisa brasileira”.
A técnica desenvolvida pela equipe é bem menos invasiva que a usada atualmente no tratamento, que é feito em conjunto com uma série de drogas. Na técnica atual, a estimulação elétrica de neurônios é feita com a introdução de eletrodos no cérebro do paciente, em uma cirurgia bastante complicada, cujo procedimento é arriscado e limitado a apenas um terço dos milhões de pacientes de Parkinson que podem se submeter a tal procedimento.
Com a nova técnica, os cientistas abriram uma pequena incisão na pele dos roedores e retiraram um pequeno pedaço do osso para acessar a medula espinhal. Além disso, a combinação dessa nova cirurgia com a medicação tradicional prescrita para pacientes com Parkinson necessita apenas de um quinto da dose convencional, o que acaba com os efeitos colaterais e o desenvolvimento de tolerância à medicação.
Os resultados são tão promissores que os pesquisadores começarão em breve os estudos com primatas, em testes que serão realizados em Natal (RN). A expectativa é que os primeiros testes clínicos com pacientes humanos aconteçam já no ano que vem.
Leia mais sobre o estudo em entrevista que Nicolelis concedeu à revista Época, nas matérias da revista IstoÉ, do Jornal Nacional e do site G1, e em um modesto post que escrevi tempos atrás, que traz mais dois links para matérias com Miguel Nicolelis publicadas pela revista Superinteressate.
Prêmio Nobel
A revista Época perguntou a Nicolelis sobre a possibilidade do cientista ser o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio Nobel. Abaixo, a transcrição da sincera resposta:
“Não, de jeito nenhum. Não tem a mínima chance. É uma coisa muito competitiva, e eu não participo das rodas sociais onde essas decisões são tomadas. Mas se, nos próximos anos, eu conseguir produzir essa nova teoria do cérebro e ela for aceita, como também consiga construir as próteses robóticas que vão alterar a vida de gente que está paralisada, o resto é… é o resto. Realizar estes feitos é a minha obsessão. Se eu conseguir chegar perto de realizar algum destes objetivos, e o Palmeiras voltar a ganhar alguma coisa que preste, vou estar satisfeito.“
Fico aqui na torcida por ambas realizações.