Espaço em Branco

29 Junho, 2009

Xinran e as mulheres da China

Arquivado em: Cultura, Literatura, Notícias, Orientalidades — Érica @ 22:20

livro_xinranO título já estava em minha lista “Livros para Comprar” há certo tempo, mas o preço, por volta dos R$ 45, era sempre um motivo contra. Até que um dia entrei em uma livraria e comecei a ver os títulos em versão de bolso disponíveis em um display. E lá encontrei As Boas Mulheres da China por menos da metade do preço do livro na versão “tradicional”.

Comecei a lê-lo imediatamente, mas logo percebi que a leitura não seria tão fácil assim: as histórias narradas por Xinran, autora da obra, eram tristes demais. Muitas delas pareciam até ter sido inventadas, tamanha a crueldade ou sensibilidade extrema, mas então eu tinha que me lembrar de que as histórias eram todas reais. E assim via que as vidas das mulheres chinesas retratadas no livro eram muito sofridas, muito tristes e, muitas vezes, brutais. E que nada ali era inventado.

De 1988 a 1997, a jornalista chinesa Xinran leu e comentou em seu programa de rádio cartas vindas de todas as partes da China, enviadas por suas ouvintes. Cartas estas que retratavam dificuldades e crueldades enfrentadas diariamente por mulheres chinesas, que ainda hoje estão longe de receberem o mesmo respeito e valor dispensados aos homens chineses.

São algumas destas histórias que deram origem ao livro As Boas Mulheres da China. Segundo a sinopse, entre essas histórias estão a de “Hongxue, que descobriu o afeto ao ser acariciada não por mãos humanas, mas pelas patas de uma mosca; de Hua’er, violentada em nome da ‘reeducação’ promovida pela Revolução Cultural; da catadora de lixo que impôs a si mesma um ostracismo voluntário para não envergonhar o filho, um político bem-sucedido; ou ainda a de uma menina que perdeu a razão em conseqüência de uma humilhação intensa”.

Mas somente lendo a obra é que se pode sentir a gravidade destas experiências. As que mais de chocaram foram a história sobre o terremoto de 1976, que matou 300 mil chineses, e a última do livro, sobre o povo da Colina dos Gritos. São sofrimentos humanos dos mais inimagináveis.

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A jornalista e escritora chinesa Xinran Xue. Foto: divulgação

Xinran é uma das ilustres presenças que enriquecerão a 7ª Festa Literária Internacional de Paraty, ou simplesmente Flip, que acontece de 1º a 5 de julho no Rio de Janeiro. Alegria para quem vai, tristeza para quem fica, como eu, que tem que se contentar com as reportagens especiais sobre o evento.

Para saber mais sobre a história de Xinran (ela mesma marcada pelo rigor extremo da cultura chinesa), sobre seus livros e um pouco da história daquele país, leia estas duas excelentes reportagens da Folha: “Chinesa que vai à Flip começou contando histórias de mulheres” e “Escritora discute as ’sombras’ da China sobre a mulher na Flip“, ou visite o site oficial da escritora. E leia As Boas Mulheres da China. Vale todas as lágrimas.

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