Tem gente que me acha uma completa desalmada quando digo que sinto mais pena de animais do que de crianças. Mas convenhamos: não tenho filhos nem convivo com crianças, mas, por outro lado, tenho duas Poodles. É óbvio que vou me sentir muito mais atingida quando o crime é contra animais. Mas isso não me faz uma pessoa má; sou completamente contra qualquer tipo de violência, seja ela contra quem/o que for.
Só que hoje, a notícia que mais me chamou a atenção foi a de uma bela corujinha atingida por uma linha de cerol.
Chega a época dos ventos fortes e, com ela, a mesma ladainha das pipas e suas linhas com cerol. Todo ano é a mesma coisa, ficamos chocados com as notícias sobre as pessoas feridas – e, ainda pior, mortas – por causa da burrice de alguns poucos. Mas aí a sociedade de mobiliza, a polícia distribui antenas para as motos, o governo institui multas para quem for pego com as linhas malditas e tudo fica por isso mesmo. Mas para quem a coruja vai reclamar? Como ela deve instalar uma antena contra linhas com cerol? Deve carregá-la no bico, instalá-la nas patas? Quem vai protestar e chorar as corujinhas mortas ou machucadas? Seres humanos são os culpados por esta idiotice de cerol e seres humanos sabem como se proteger e como acabar com isso. Mas as corujas não sabem.
Quando vejo o céu portilhado por pipas não sei se posso continuar a contemplar a brincadeira ou se devo correr pra me proteger dentro de casa. Abaixo todo tipo de cerol.