Às vezes ouço certas coisas e não acredito no que acabei de ouvir. E quando a frase parte de alguém que tem algo em comum comigo, o sentimento – bom ou ruim - é ainda maior.
Hoje, por exemplo, senti uma grande vergonha em ser jornalista. Um canal de TV passava a reportagem da chegada da menina de 8 anos, única sobrevivente de um acidente que matou sua família, a Pernambuco, onde irá morar com os avós. Cercada por policiais e seguranças do aeroporto que tentavam manter a mídia afastada da menina, o que se ouviu ao fundo, entre muito tumulto, foi uma repórter fazer a pergunta mais idiota que se poderia fazer nesta situação: “está sentindo falta da família?“. Não obtendo resposta, a repórter ainda teve a pachorra de repetir a pergunta.
Me senti mal, envergonhada e indignada. Não poderia haver pergunta mais infeliz.